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sábado, 18 de março de 2017

Crânio de 400.000 anos pode esclarecer origem do homem de Neandertal

Exposição "Neandertais e rituais funerários", em 2008, na França
A descoberta em Portugal de um crânio de 400.000 anos de idade pode ajudar a elucidar o mistério da evolução dos antepassados humanos na Europa, em particular a origem dos homens de Neandertal, que desapareceram há cerca de 30.000 anos.
Trata-se do crânio fóssil de hominídeo mais antigo já encontrado na península Ibérica, o que "marca uma importante contribuição para a compreensão da evolução humana durante o período conhecido como o Pleistoceno Médio na Europa e em particular sobre a origem dos homens de Neandertal", afirmam os membros de uma equipe internacional de pesquisadores.
A descoberta foi publicada nesta segunda-feira na revista americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Até agora, a história da evolução dos ancestrais humanos na Europa durante este período foi muito controversa devido à escassa e incerta datação dos fósseis, que vão de 200.000 a mais de 400.000 anos, ressaltam os cientistas.
A idade do crânio foi determinada de uma forma mais precisa graças à datação dos sedimentos e estalagmites nos quais estava preso.
"Este novo fóssil é muito interessante, porque esta região da Europa é crucial para entender as origens e a evolução do homem de Neandertal", explica Rolf Quam, professor adjunto de antropologia na Universidade de Binghamton (Nova York) e coautor do estudo.
"O crânio, encontrado em 2014 na gruta da Aroeira, compartilha de fato traços anatômicos com outros fósseis da mesma época encontrados no norte da Espanha, no sul da França e na Itália", acrescenta.
Portanto, este crânio "aumenta a diversidade anatômica da coleção de fósseis de hominídeos deste período na Europa, o que sugere que as populações mostravam diferentes combinações de características morfológicas", afirma o antropólogo.
- Dois anos de extração -
O crânio, assim como dois dentes que mostram sinais de desgaste, indicam que se tratava de um indivíduo adulto, cujo sexo e espécie não puderam ser determinados.
O fóssil mostra características morfológicas típicas do que parece ser um ancestral do homem de Neandertal, incluindo um espessamento ósseo pronunciado na altura das sobrancelhas, segundo os pesquisadores.
O fóssil também é um dos mais antigos no continente europeu diretamente relacionados com as ferramentas da cultura acheuliana, que surgiu na África e começou a se estender para a Europa há 500.000 anos.
Estas ferramentas mais sofisticadas foram talhadas não só com outra pedra, mas também com um martelo de material brando como a madeira, que permite um corte mais fino.
O crânio da Aroeira foi encontrado perto de um grande número destas ferramentas de pedra, como bifaces e machados pequenos.
Os paleontólogos também descobriram 209 restos de animais, entre eles cervídeos.
O crânio, fossilizado em um bloco de pedra, foi levado ao Centro de Pesquisa sobre a Evolução e o Comportamento Humano, um centro de pesquisa paleoantropológica em Madri, na Espanha, para o delicado trabalho de extração, que durou dois anos.
"Estudei estes sítios durante os últimos 30 anos e recuperamos importantes dados arqueológicos, mas a descoberta de um crânio humano com esta antiguidade e importância é sempre um momento muito especial", destacou o arqueólogo português João Zilhão.
Este novo fóssil será a atração principal de uma exposição sobre a evolução humana que será realizada em outubro no Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa.
Fonte: AFP/Yahoo Notícias

sábado, 21 de novembro de 2015

Antigo lago brasileiro de 278 milhões de anos está cheio de fósseis de anfíbios

Interpretação artística dos animais descobertos, incluindo o Timonya (o com guelras à esquerda) e o Procuhy (animal nadando através do tronco da árvore na direita)
Interpretação artística dos animais descobertos, incluindo o Timonya (o com guelras à esquerda) e oProcuhy (animal grande nadando pelo tronco da árvore na direita)
Um novo estudo descobriu diversos fósseis de anfíbios e répteis onde ficava um antigo lago tropical brasileiro, na região de Teresina.
Alguns dos animais encontrados são conhecidos pela ciência, outros são novos. De acordo com os pesquisadores, o local no qual foram descobertos possui 278 milhões de anos. Nessa época, Teresina ficava na atual latitude do Rio de Janeiro. Em vez de ter a temperatura quente pela qual é famosa hoje, era muito mais amena e úmida, além de recheada de lagos alcalinos.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Communications.

Gondwana

As duas novas espécies de anfíbios encontradas viveram durante o começo do período Permiano em Gondwana, um supercontinente que incluía a África, a América do Sul, a Austrália, a Antártida, o subcontinente indiano e a Península Arábica.
“Quase todo o nosso conhecimento sobre os animais terrestres deste supercontinente vem de um punhado de regiões na América do Norte e Europa Ocidental, localizados perto do equador”, disse Ken Angielczyk, coautor da pesquisa e curador do Museu Field, em Chicago, nos EUA. “Agora finalmente temos informação sobre que tipos de animais estavam presentes em áreas mais ao sul, e suas semelhanças e diferenças para os animais que viviam perto do equador”.

Timonya anneae

Um dos novos animais foi nomeado de Timonya anneae, em referência ao município de Timon, no Maranhão, onde foi descoberto, e a Ann Warren, especialista em um grupo diversificado de anfíbios primitivos de quatro patas.
Timonya era um predador carnívoro aquático que tinha presas e guelras, e parecia um cruzamento entre uma salamandra moderna e uma enguia. Vários espécimes foram encontrados, incluindo crânios e esqueletos, a maioria de indivíduos jovens.
Timonya anneae
Timonya anneae

Procuhy nazarienis

A outra espécie recém-descoberta é Procuhy nazarienis. Prot significa sapo e cuhy significa fogo na língua indígena timbira. Essa é uma referência a formação geológica “Pedra de Fogo” no qual ela foi encontrada. A formação fica município de Nazária, em Teresina, daí o “nazariensis”.
Procuhy provavelmente passou toda a sua vida na água. Ambos os anfíbios são parentes distantes de salamandras modernas.

Esclarecimentos

Os pesquisadores também descobriram fósseis de um anfíbio conhecido como Rhinesuchus, uma criatura cujos parentes mais próximos conhecidos viveram mais tarde no sul da África, e um lagarto chamado Captorhinus aguti, que só era conhecido a partir de fósseis na América do Norte até agora.
Estes achados destacam como os animais se espalharam e colonizaram novas áreas no Permiano.
“Os fósseis de áreas da América do Norte e Europa têm sido estudados há mais de um século, mas há questões de longa data sobre como diferentes grupos se dispersaram em outras áreas que não podíamos responder usando apenas esses exemplares”, explica Angielczyk. “Exploração em áreas menos estudadas, como o nordeste do Brasil, nos dá uma visão nova que podemos usar para comparações. Por sua vez, podemos ver quais animais estavam se dispersando para novas áreas, nomeadamente quando a idade do gelo estava terminando nos continentes do sul e as condições ambientais estavam se tornando mais favoráveis para répteis e anfíbios”. [LiveScienceOGlobo]
Créditos: HYPESCIENCE